sexta-feira, 12 de junho de 2009

Ferimos o mundo: haja neomicina e bacitracina!


Fiz essas fotos em fevereiro, voltando da Praia Grande-SP, por um súbito reflexo a cerca da ação humana.
Essas fotos, particularmente, tratam da “nossa” relação com a natureza (detesto essa idéia de categorização: “todos humanos, todos culpados!”... viciozinho besta esse, só pra emocionar. porém...), mas eu reflito sobre intervenções, em qualquer aspecto.
Quando publiquei no Orkut, escrevi na legenda:

- "Fotografe uma "ferida" na sua pele, que antes era perfeita, e que agora tem uma colônia de bactérias se reproduzindo e criando condições propícias para seu desenvolvimento... Depois, compare com esta foto..."
Pois é. É sobre a equivalência dessas intervenções que, apesar de desiguais em tamanho, são extremamente proporcionais em seus efeitos sobre o objeto que a recebe.

Fiquei muito feliz ao ver a reportagem sobre coletivos na Super desse mês, sob o título “Inversão da ordem”(Superinteressante, Editora Abril, nº 266, pág.78 - junho/2009), da autoria de Denis R. Burgierman e com design de Ju Vidigal. Entre abordagens e referências ilustrativas de ações de outros COLETIVOS, destaco O Coelho, do grupo vienense Gelitin, gigantesco e abandonado nas proximidades de Gênova, Itália, para que fique por lá até 2025, com o intuito de gerar comentários sobre o tema “decadência”. Aqui já funcionou.

Sinapse Remota

Longe de querer igualar a genialidade da captação: a foto que enquadra o coelho e a casa me remeteu àquela mesma ótica comparativa das minhas fotos, já que a “fazendinha” ganha proporções de maquete e as pessoas, que escalam e brincam “no” boneco, de vermes ou insetos. No entanto, ainda que seja fã da ação do Gelitin, sou mais da cômica de George Carlin, crítico que se destacou por sua ironia diante de temas polêmicos como política e religião, em seu vídeo “Save the Planet” (Salve o Planeta), disponível na internet.

Agora imagina a “baita” infecção: assim como já existem os caminhos para a casa e para o coelho, marcados na vegetação do local, não custa nada instalarem-se traillers, lojas de conveniência, postos de combustível, pousadas, restaurantes e outras humanices ao redor do bonecão! Não há pomadona ou um cremão bactericida que resolva!
Fontes:
Superinteressante, Editora Abril, nº 266, pág.78 - junho/2009. Texto de Denis R. Burgierman e design de Ju Vidigal.
http://www.gelitin.net/mambo/index.php

Saiba mais sobre os coletivos em:
http://arte.coletivos.zip.net/index.html
.

2 comentários:

Ayne Regina Gonçalves Salviano disse...

Seu olhar de fotojornalista estava certo. A TV Globo exibiu recentemente problemas semelhantes nesta luta ser humano-natureza, com o primeiro vencendo o segundo, na Serra da Cantareira, viu? Sim, nós estamos ferindo o mundo e não há neomicina nem bacitracina que resolvam, infelizmente.

IQ disse...

Valeu, Ayne!!! Você é o anjo da minha consciência!!! Seu feed-back me faz ter vontade de acreditar que vale continuar... Bjão e sucesso sempre!!!

Culto&Grosso: Mostre isso aqui p'ra eles!

Culto&Grosso: Mostre isso aqui p'ra eles!