terça-feira, 19 de maio de 2009

Anjos também dirigem caminhões

Guararapes-SP, sexta-feira, 8 de maio de 2009. Noite calma, tempo bom, trânsito leve na via de acesso Ten. Rio Branco Antunes, que liga a entrada da cidade à rodovia Marechal Rondon.
O "cara" ainda conseguiu desviar da placa, ou foi golpe de sorte?


Entre 21:30h e 22h, ao sair da cidade com destino a Araçatuba-SP, enquanto me aproximava da pequena ponte que antecipa o trevo da rodovia, avistei ao longe (nem tão longe) as luzes de um caminhão que, num trecho nada iluminado da via, pareceu tremer, balançar estranhamente e, ainda que eu não quisesse crer, mudou seu trajeto e invadiu o lado da pista em que eu me encontrava. Por frações de segundo ainda me dei ao luxo de fixar os olhos na cena, mantendo aquele senso incrédulo, mas logo dei-me conta de que, realmente, sem dúvida alguma, o tal caminhão vinha de encontro ao meu pequeno carrinho popular 1.0 16v, compl., ar, dir., ótimo estado. Num ímpeto instintivo de sobrevivência, joguei o carro para a esquerda, portanto entrando na contramão dos que vinham atrás do caminhão. Logo, tive que escolher de novo, entre as colisões e o barranco.

Ai, meu Deus, ai meu Deus... barranco. Só então lembrei-me de frear. Depois de dezenas de “ai meu Deus”, parei o carro no barranco, a quase um metro de uma cerca, que de tão abandonada e coberta de mato parecia uma outra parede do barranco. O carro parou. Não bateu. Não capotou. O cinto de segurança me salvou a cara e demais ossos do corpo. Saí do carro já com a câmera fotográfica na mão – eu ia fotografar o Derico, aquele do sexteto do Jô, que se apresentou naquela noite em Araçatuba -, conferi que o carro estava inteiro, sem nenhum arranhão, apenas sujo. Não, não tive o espírito-de-porco de olhar dentro do carro para ver se meu corpo estava lá, mas me dei uns tapas para conferir se eu também estava inteiro. Quando subi ao nível do asfalto, vi o caminhão no outro lado de fora da pista.

Oras por que este chato não diz logo “acostamento”? Simples, porque a tal via de acesso não tem acostamento.

Continuando. Atrás do caminhão, também na grama, havia uma vaca morta. Não sou nenhum legista, mas ela estava bem estourada. Havia sido arrastada, deixando sangue e pêlos no asfalto. E dá-lhe foto. O condutor do caminhão correu até mim para me socorrer e constatamos juntos que, felizmente, ninguém havia se ferido. Muitos pararam para assistir o evento em que aquilo se transformara. Agradeço ao apoio oferecido e a preocupação dos amigos e familiares que ali me abraçaram.

Enquanto as polícias - militar local e rodoviária – executavam seus procedimentos padrões de organização do transito e coleta de dados, tive tempo para reconhecer o que chamo de milagre. Como havia descrito o caminhoneiro, a vaca estava deitada na pista e ele não conseguiu frear a tempo, dado que há pontos cegos no relevo em que fora construída a via de acesso. A dianteira do caminhão não sofreu nenhum impacto, mas o escapamento e algumas outras partes de baixo foram danificadas, pois o animal foi arrastado enquanto o caminhão lhe “passava por cima”.

Cálculo do milagre: e se não fosse o caminhão a arrastar a vaca? E se fosse o meu ou qualquer outro veículo menor a colidir com a vaca deitada? E se eu tivesse saído para o mesmo lado que o caminhão foi segundos depois? Especialmente naquele trecho, o asfalto fica à altura do topo das copas das árvores que se encontram no terreno ao lado mencionado da via, onde o caminhão também poderia ter encontrado um destino pior, se não fosse pela destreza de seu condutor. Naquele momento tão paradoxal, em que um acidente com uma potencialidade horrível não resultou em desgraças ou prejuízos significativos, eu já me encontrava tão grato a Deus, por estar vivo e inteiro, que não tive o reflexo de agradecer de pronto ao caminhoneiro por ter participado daquele momento, ainda que involuntariamente, da salvação da minha vida.

* Agradecimentos: Aos policiais que nos atenderam de pronto naquela noite, aos servidores da SP-RONDON (ambulância e guincho) à minha família e meus amigos, assim como a todos que alí pararam para prestar solidariedade. A Deus, por mais uma chance, e ao caminhoneiro, cujo nome não me lembro, mas que tem seu rosto gravado na minha memória, na pasta “Anjos”.
*Mancada: de quem atropelou a vaca antes do caminhão. Ôrra, custava avisar a polícia? ainda que mentindo, só pra avisar e evitar acidentes piores?

Um comentário:

Luciana Arruda disse...

aiii Iq...dizer o que,né?! susto, já passou.te amo.
e ainda assim consegui rir- tadinha-da foto da vaca,com o olhinho tampado.
sei la porque, humor bizarro esse meu.
depois te dou um abraço,´ta?! não sabia que tinha sido sério assim.
iupiiii milagres acontecem, mano.
mesmo!

Culto&Grosso: Mostre isso aqui p'ra eles!

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